terça-feira, julho 20, 2010

19.07.2010




Fragmentos nossos são tão particulares, amor
Que se cada partícula dessas falasse,
Diria tudo o que eu não soube dizer...

Até a natureza,
Extensão mínima de qualquer divindade,
É impermanente,
Com a minudência majestosa de um carnaval mudo
Que acorda aos berros do abismo do sono toda uma cidade.

Se tudo coubese na boca e nas mãos
De alguém que se diz poeta,
Este não seria poeta, mas sim Deus,
Pois no seu ninho de plumas coletadas,
O poeta só ingere sementes com a maestria
De um criador de universos,
Cônscio de seu próprio apocalipse.

Se a saudade vier, ela será tão bem-vinda
Quanto os dias de frio quem fazem fora
Da minha planície abissal.
Se acaso ficares comigo,Sempre fui teu abrigo,
Por quê me compreendes tão mal?

Coleto gravetos pra atear fogo no mundo,
Sou vidente, sei macumbar,
Já vi Deus e o Diabo me rodeia na rotina
Moro longe, sou de peixes, tenho Câncer
Vi a gênesis da terra; vi também como termina.

Sei morrer com dignidade,
Mas ai de mim, tentar amar...

terça-feira, julho 13, 2010




Reverberar é inventar verbo novo; Inventar é ventar pra dentro, no meio do casamento de um inglês e uma brasileira. Ventar sempre venta, isso agente sabe, e olha que a gente, mesmo destreinado desconfia também.

Sobre algo




Negação à vida, se é isto
Tens muito a aceitar,
O homem vê a si próprio
Nos peixes que nascem e morrem no mar.

Mas sem titubear ele entende
Que algo maior o espera,
A isca nunca nada pretende,
E o peixe a prende na goela.

Menino descalço, te atenta!
Que do chão, vêm muitos males,
Do céu nunca caiu desgraças,
Ergue a vista, então, quando andares.

Quê quer aí, nesta poça?
Nem amanhece, e já corre afoito,
Parece um velho de cenho enrrugado,
NO entanto não passa dos 8.

quinta-feira, julho 23, 2009

Rogai



À minha mais dolorida manifestação, Benassi.
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Rogai por ela posto que sou eu que peço,
Peço porque despenquei de mim e sou pedaços,
Logo eu, que habitei em tua aura boa e perdida,
Morri até perder parte da vida,
E nascer nas margens de um rio aos farrapos.
Rogai por ela porque ela é sutil,
Como uma triste e chorosa oração
Que neste mundo não existe,
E a tudo rege em silêncio e exatidão.
Rogai por ela posto que ela morre fácil
Peço que ela encontre vida em um mundo morto
E que ela encontre senhor, seu caminho,
E que construa em seus dedinhos um imenso porto.
Porto este que a suporte,
E a livre da mosca, do rato, da peste,
E de doença, amor e morte.
E que as chagas de sua alma,
Não ressaiam em seu corpo quebradiço
Que sofre perdida e em espiral
Neste palco fictício.